terça-feira, 30 de junho de 2009

"Uma tarde na Praça"

Os senhores que jogam xadrez concentrados se despreocupam com a correria alheia. Os engraxates fixam o olhar nos pés dos caminhantes para deixar o brilho no sapato e ganhar um trocado. Os bancos da praça ainda acolhem casais apaixonados que sentam para namorar, amigos para conversar e avulsos, para fumar um cigarro ou falar ao telefone. As pombas caminham a procura de comida e voam para fugir dos pedestres apressados e as crianças correm pela volta do chafariz e muitas vezes parecem ser as únicas interessadas em olhar de perto a água que sai da Fonte das Nereidas.

Estas cenas se repetem todos os dias, no centro da cidade, na Praça Coronel Pedro Osório. Em uma quinta-feira à tarde quatro estudantes de comunicação tentavam não atrapalhar o caminho dos pelotenses, que, com passos rápidos, atravessam a Praça para encurtar caminho e chegar mais rápido ao local de destino. Sem ter tempo para parar, e já tão acostumados com a paisagem, os que passam não percebem a verdadeira beleza em torno deste local.

Apaixonados pela fotografia desde que ingressaram no curso, a idéia dos estudantes foi justamente esta. Mostrar as belezas que temos em torno da praça, que muitas vezes não são valorizadas por serem comuns. “Na verdade sabemos que existem, mas estamos tão acostumados que acabam passando desapercebidas”, comenta Solano Ferreira.

O ponto de referência foi escolhido por ser histórico e turístico, além de ter muitas belezas para fotografar. A mesma tarde foi uma alternativa para Solano Ferreira, Pedro Dias, Rodrigo Nunes e Carolina Silveira, para proporcionar uma melhor interação e para todos terem as mesmas condições de fotografar.
Como sugere o nome da mostra, “Uma Tarde na Praça” é o resultado de um dia em que quatro pessoas se reuniram para fotografar a Praça Coronel Pedro Osório e o que está em sua volta. Cada um de sua própria perspectiva.

O resultado deste trabalho pode ser visitado até o dia 8 de julho no Corredor Arte do Hospital Escola UFPel/FAU (Rua Professor Araújo, 473). A entrada é franca.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

"No meu governo é proibido proibir "


Tecnologia

Mariel Zasso tirou uma foto de Lula com Peter Sunde, um dos fundadores do PirateBay. O presidente brasileiro defende a liberdade na rede e a importância da colaboração. Disse em seu discurso, após se encontrar com Richard Stallman, Marcelo Branco, Mad Dog, Mario Teza, Pablo, Sergio Amadeu, Marcos Mazoni, Marcelo Tossati, Peter Sunde, Bruno Souza e outros hackers: “a internet deve continuar livre”… “No meu governo é proibido proibir.”…”A liberdade é fonte da criatividade”.

Texto e Imagem retirado do blog trezentos

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Cuidado com os buracos

Comunidade - Vila Princesa

As crianças da escola Antonio Ronna, e as que brincam na praçinha, devem cuidar para não cair no buraco em frente à Escola

A estudante da 8° série da escola Antônio Ronna, Tassine Anderson, de 13 anos, quebrou o pé em um dos buracos na frente da escola. Na edição passada o jornal Folha da Princesa, alertou que os estudantes deveriam continuar tomando cuidado para não se machucarem nos buracos. “Que boca hein”!

Tassine relatou que na semana do aniversário da escola foi fazer uma prova e, na saída não viu o buraco e caiu. Desde 2006 o buraco está lá, à espera de uma solução.
Foto: Vanessa Silveira
Há três anos havia valetas a céu aberto na frente da Escola Antônio Ronna. A AMOVIP, Associação dos Moradores da Vila Princesa, queria resolver a situação por conta própria, já que a prefeitura não tomava atitude mas não tinha dinheiro pra isso. Então o Pastor Daniel Popping da Igreja Quadrangular da Vila, organizou uma festa para arrecadar dinheiro, doou a quantia para Associação dos Moradores para investir na melhoria da frente da Escola. Todo o material para a construção dos bueiros foi pago pelos moradores, inclusive o aterro. A prefeitura só forneceu a mão-de-obra e ficou responsável por construir tampas para cobrir os buracos.

No final do ano passado o secretário de serviços urbanos, Marco Antônio Brettas, garantiu a colocação das tampas antes do inicio do ano letivo, mas até agora a situação não foi resolvida.

O secretário lamentou o episódio, mas afirmou estar sem possibilidades de resolver esse problema, pelo menos no momento, por falta de material para a construção das tampas de concreto. Ele sugeriu que se alguns empresários da Vila pudessem ajudar doando cimento e ferro.“Não tem ferro, não tem material pra fazer”, disse o secretário. O uso das tampas provisórias de madeira foi descartado pelo tempo que com a chegada do inverno é úmido e chuvoso, o que apodreceria rapidamente as tampas.

Os moradores fizeram mais do que deveriam para garantir o bem estar das crianças. É responsabilidade da prefeitura fazer a manutenção e resolver esse tipo de problema. Promessa é promessa e deve ser cumprida. A comunidade espera a resolução desse caso o mais rápido possível para a garantia de que ninguém mais ira se machucar.

Na Foto a estudante da escola mostra em qual buraco se machucou.

*A Vila Princesa fica a 20 km do centro da cidade de Pelotas e faz parte do muncipio.
*O Jornal Folha da Princesa é um projeto comunitário desenvolvido pelos alunos de Jornalismo da UCPel há nove anos na Vila Princesa.


terça-feira, 23 de junho de 2009

Insatisfação alimentada, sede permanente

Literatura

Crítica sobre o conto "Felicidade Clandestina" de Clarice Lispector

Escrever sobre Clarice para mim, é exercício bom. Falar de seus contos, ficções reais e desabafos literários, é falar da própria autora.

Eu poderia falar de um marco nas obras da Clarice, intitulado "A hora da estrela". O livro que, na minha opinião, revolucionou a história literária que ela sempre teve, pois também trata a "desigualde social no Brasil" - diferente dos outros romances que se voltam para os "sentimentos"-. Em "A hora da estrela", Clarice relata a vida de Macabéa, uma nordestina que vai para a cidade do Rio de Janeiro. Mas o que isso tem a ver? Muita coisa: o preconceito com o nordestino que muito ainda se encontra no Brasil, a diferença de classes, os desafios daqueles que não possuem o pão de cada dia tão facilmente e outras questões que tudo isso implica. Eu mergulharia nesse assunto com vontade, falaria de seu impacto na sociedade, de seu crítico olhar social e tantos outros aspectos que valorizo, mas hoje eu vou falar de um simples conto que possui uma história normal, mas reflete atitudes permanentes de uma sociedade.

“Felicidade clandestina” é um conto que nasceu na década de 60 para ser publicado no Jornal do Brasil, onde Clarice mantinha uma coluna diária. Mais tarde, virou título de um livro que reunia outros contos e crônicas da autora. Os contos tratam de infância, adolescência e família, mas principalmente mostra angústias da alma. Sentimentos questionáveis de uma sociedade mais individualista e sistemática.

Embora se encontre uma narrativa admirável na obra, a saliência de sentimentos mais profundos dos personagens se torna mais relevante. Na verdade, é um conjunto que se completa. Uma mistura de brinquedo com palavras, junto com experiência em emoções. Ou habilidades significativas de saber retratar o interior do ser humano que é tão complexo.
Autora Clarice Lispector

O conto narrado em primeira pessoa, fala da esperteza ou maldade de uma “gordinha ruiva de cabelos excessivamente crespos”, sem paixão por literatura, mas filha de um dono de livraria. Mas calma, isso não é o mais importante. A garota se recusa a emprestar 'As reinações de Narizinho', de Monteiro Lobato, para a própria narradora, encantada por livros. Porém, a intervenção da mãe da menina dona do "objeto", permite à autora deliciar-se, vagarosamente, com a posse do livro. O momento da interferência da mãe, causa um suave toque de leveza à leitura. É uma forma de suspirar aquilo que queria se encontrar na história. Entretanto, Clarice surpreende com sua realidade. O desfecho da história mostra o quanto o ser humano é insatisfeito com suas próprias realizações. ‘Não mais importa se estou com o livro que queria tanto ler, importa que eu sinta a todo o momento esse gostinho da conquista e, no momento em que estiver satisfeita, tornar-me-ei insatisfeita, para viver mais uma vez essa minha felicidade inventada.’ É isso que a autora me passa, a vontade de sempre querer mais... essa satisfação torna-se “clandestina”.

A história acontece no Recife e a dificuldade de relacionamentos, mais uma vez se faz presente na obra. Tudo é uma questão de “desejar aquilo que está por vir”. A autora se prende na expectativa da “felicidade” que é estar com o livro esperado, na excitação e no caminhar para o lugar secreto, à realização do desejo. Aquilo que outrora, parecia uma historinha sem sentido, torna-se em um aprendizado de contentamento recôndido. De um lado temos o egoísmo involuntário refletindo o mundo individualista cada vez mais gritante; do outro, a vontade que é satisfeita, mas não saciada posteriormente.

Eu diria que Clarice encontrou seu rumo ao publicar obras próprias. Ela sempre ousou, desde pequena, sempre foi diferente. E eu, admiradora do “além”, curiosa por coisas novas, inconformada com o normal, me identifiquei e, por que não dizer que me encontrei em algumas escritas? Eu já me vi entre as linhas, me questionei se mais alguém no mundo também já sentiu essa sensação. Quão ingênua eu fui ao pensar que isso só aconteceria comigo. Além da grande viagem de imaginar histórias normais, mas fascinantes em textos, é também comum se encontrar em palavras alheias, escritas há séculos e contextos diferentes. O mundo muda, mas os sentimentos não. O que nos difere, são nossos destinos e nossas atitudes perante nossas emoções. Nossos pensamentos e sensações muitas vezes são semelhantes. Eu sou igual a Clarice, em partes. “Eu sou uma pergunta”. E o conto também.

Originalmente, a história acaba com: “Não era mais uma menina com um livro: era uma menina com o seu amante”. De certo, meu suspiro foi maior aí. Mais perguntas, mais imaginações e mais identificações. Aonde fomos parar? Que narradora viajante, ela era tímida e vaidosa, “uma rainha delicada”, a espécie feminina com suas “relações ilícitas”, a princesa e o plebeu.

Aqui o trabalhador sempre tem voz

O SINDICATO DOS MUNICIPÁRIOS DE PELOTAS (SIMP), por meio de seu Presidente, Duglas Lima Bessa, ao final firmado, vem requerer DIREITO DE RESPOSTA face aos equívocos, inverdades e verdadeiro ataque aos servidores municipais manifestados no Editorial deste jornal Diário Popular, edição de segunda-feira, dia 8 de junho, sob o título “Um protesto, no mínimo, questionável”, à página 6 (seis)



Um editorial, no mínimo questionável

“Equivoca-se este prestigiado jornal Diário Popular quando, no Editorial da edição do dia oito de junho, segunda-feira, sob o título ‘Um protesto, no mínimo, questionável’, expressa inverdades, equívocos e traça juízo de valor contrário aos municipários de Pelotas, em defesa clara e expressa do Sr. Prefeito Fetter Jr.

O mencionado Editorial também ataca os Municipários quando afirma que “...a escancarada falta de educação e de respeito...”; que “...os representantes do Sindicato dos Municipários só conseguiram atrair para si olhares de desprezo e de indignação...”; que “...a estratégia política, decidida em assembleia, mostrou-se um verdadeiro tiro no pé”; e, por fim, que “...o prefeito saiu da Feira maior do que entrou”.

Tais afirmativas demonstram, no mínimo, o caráter antidemocrático e posicionado do Editorial, que esperamos não seja do Jornal como um todo, com a atual Administração Municipal. O olhar de desprezo e indignação com certeza se deu por parte de alguns suspeitos, aliados a uma política que sempre arranja desculpas para não fazer uma atualização salarial e funcional digna para os trabalhadores municipais.

A cultura do doce e a cultura histórica que tanto eleva e projeta a cidade no resto do país não exclui a cultura amarga e azeda que o servidor público municipal convive no seu dia a dia de trabalho. Ou o prefeito Fetter Jr. abandona o glamour da cidade fantasia ou terá de assumir os riscos de em cada evento que tenta vender sua cidade panfletária, uma parcela da comunidade pelotense estará mobilizada para contrapor o brilho ofusco, demonstrando uma realidade dura e suada que sobrevive com padrões salariais abaixo do mínimo nacional, estando eles entre 200 e 300 reais.

Isto sem falar, que os mesmos 80% dos trabalhadores tem sua base de cálculo para vantagens num valor que não chega nem ao salário mínimo de 2008, e que mesmo os que tem padrões acima do mínimo nacional somente tem recebido de reajuste salarial a inflação do período ao longo dos últimos anos. Ou seja, há anos sem aumento real.

Constam inverdades, como a menção ao suposto acordo entre os Municipários e a base governista na Câmara para destrancar a pauta, ‘acordo’ este que teria sido rompido pela categoria. Jamais houve qualquer ‘acordo’, eis que até o último dia 09, terça-feira, não havia sido apresentada proposta formal de vale-alimentação de R$ 90,00. A proposta oficial do vale, no contexto do projeto de lei que foi aprovada na assembleia, somente ocorreu formal e oficialmente no dia 09, terça-feira, pela manhã, na Câmara de Vereadores.

A postura da governadora Yeda ao não enfrentar as críticas e portanto deixar de estar presente no ato oficial de abertura da Fenadoce, não ocorreu somente este ano, eis que em 2008 da mesma forma a governadora não havia comparecido na abertura da Feira, face a divulgação das fitas envolvendo o vice-governador Paulo Feijó e o então chefe da Casa Civil, Cesar Busatto.

Desta forma, a responsabilidade pela sua ausência não é dos servidores municipais, e sim das constantes e freqüentes denuncias de irregularidades no Governo Estadual.

A participação dos municipários fez parte de protesto maior, este sim organizado pelos movimentos sociais, contra a governadora Yeda, cuja presença naquele ato, antes de significar a ‘grandeza do evento’, envergonharia nossa cidade.”

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Comunicação e cultura no aniversário da Rádiocom


Cultura

Seminário promovido pela emissora comunitária debateu a democratização da informação e a sustentabilidade de produções culturais

A Rádiocom é um veículo de comunicação alternativo e contra-hegemônico que está enraizado na cultura popular. Assim foi definida pelo jornalista Clomar Porto, em seminário sobre a comunicação e a indústria cultural no dia 13 de junho, essa emissora de rádio que luta, junto aos movimentos sociais da cidade de Pelotas, pela democratização da informação, articulando forças e mobilizando a comunidade pela valorização e pluralização da cultura. O seminário comemorou o oitavo aniversário da rádio e reuniu cerca de 30 pessoas no auditório do sindicato dos bancários.

A organização de um seminário abordando os temas: Comunicação, indústria cultural e cultura livre; foi a forma encontrada pela coordenação da Rádiocom 104.5 fm, este ano, de comemorar o seu aniversário de maneira diferenciada. Além de Clomar Porto, o pesquisador e escritor Álvaro Barcellos e o músico Richard Serraria conduziram os debates da atividade que envolveu ouvintes, apoiadores e rádiocompanheiros, e culminou à noite com um jantar de integração.

O seminário teve início por volta de 15h com a palestra de Álvaro Barcellos sobre a indústria cultural. Barcellos falou sobre a arte e o mercado citando algumas reflexões do filósofo Theodor Adorno sobre a contracultura. O escritor também debateu a imposição da estética dos grandes centros, a dicotomia cultura popular x cultura de massa e o controle social como mecanismo de legitimação da programação de tv. Segundo o escritor, essa estratégia da mídia de massa cria a ilusão da liberdade de escolha. “O neoliberalismo gera o império do pensamento único, e isso provoca vertigens e abismos dos mais variados”, disse o palestrante.

A luta pela democratização da comunicação foi o tema da explanação de Clomar Porto, jornalista e membro da comissão estadual de mobilização pela conferência nacional de comunicação – Confecom. O jornalista acentuou que os movimentos sociais têm dois desafios nessa luta: compreender o papel da comunicação e ter participação efetiva nesse debate. “A radiocom deve assumir essa mobilização pela conferência, em Pelotas”, afirmou.

Finalizando o seminário, o músico e compositor porto alegrense Richard Serraria da Bataclã FC falou a respeito da cultura livre e da sustentabilidade musical. Serraria citou como exemplo a produção de seu disco solo Vila Brasil, gravado no ano passado, no qual foi empregada tecnologia alternativa reduzindo consideravelmente o seu preço final. “A prensagem foi feita em um disco semi-metalizado e a gravação teve 80% dos custos financiados por verba destinada à cultura. Isso nos permite comercializar o Cd a um preço acessível”, explicou.

No encerramento da atividade, Serraria entregou ao ativista cultural da Rádiocom Glênio Rissio um convite para o Fórum de MPB – Música Para Baixar – que está sendo organizado pelo músico em parceria com movimentos sociais da capital, concomitante ao10º Fórum Internacional do Software Livre, o FISL10. O músico ainda brindou os presentes com a apresentação da canção A princesa é uma senhora de idade, que nas noites de sábado dança com o velho sopapo, na voz e violão.

Na foto, os palestrantes Clomar Porto, Álvaro Barcellos e Richard Serraria.
Crédito: Eduardo Menezes

terça-feira, 16 de junho de 2009

Quem deve teme!

Sociedade

Governadora Yeda Crusius não aparece para abertura da Fenadoce

Foto: Alencar Lopez


É, ela não veio! Mas por que governadora Yeda? Eu respondo: Não teve glamour que calasse os gritos dos trabalhadores, desempregados, homens, mulheres e estudantes que pediam, munidos de faixas, apitos, buzinas e muito “gogó”, FORA YEDA! A abertura oficial da Feira Nacional do Doce passou longe de ser mágica. A noite do dia 5 de junho foi marcada por protestos e manifestações contra o atual governo, estadual e municipal.

Aproximadamente 100 manifestantes compareceram na noite de sexta-feira à abertura da Fenadoce e foram chamados de minoria pelo prefeito Fetter Jr.. Na Fenadoce poderiam até ser a minoria, já que a Feira estimula o consumo e é feita especialmente para classe média, pois quem não possui carro e mora longe das redondezas teria que pagar R$ 2,00 só para chegar até lá. Pode parecer pouco, mas 2 + 2 é R$ 4,00, já dá para comprar o leite das crianças.

Estamos sem voz por causa dos gritos e porque “abafaram o caso”. Nenhum veículo tradicional da cidade falou claramente sobre o episódio. – Não dá mais pra ler jornal mesmo! Só quem estava lá sabe dizer o que aconteceu. Eu fui e conto: arquibancadas cheias, mega estrutura para receber o público mais especialmente a elite da cidade, com direito a tapete vermelho e tudo.

Várias pessoas se pronunciaram supervalorizando o evento e tentando nos convencer de que a feira trás desenvolvimento para cidade. - Eles devem tá falando dos empregos temporários. – Ah é, gera muito emprego temporário, depois que a feira acaba tá todo mundo desempregado novamente. “Ô beleza”!

Enquanto alguns desfilavam com seus ternos e roupas caras pelo tapete vermelho, outros cantavam incansavelmente músicas que manifestavam a grande insatisfação de boa parte da sociedade com as acusações de corrupção do governo gaúcho. Pesquisas do Datafolha comprovam que mais da metade dos gaúchos reprovam o governo e são a favor da instalação de uma CPI para investigar as acusações de corrupção.

Foto: Vanessa Silveira

Cada vez são mais freqüentes as manifestações pedindo a retirada de Yeda Crusius. No dia 26 de maio, partidos políticos, entidades sociais, movimento estudantil e entidades sindicais trancaram a ponte de Rio Grande por alguns minutos com faixas em repúdio as atitudes da governadora do estado. Os militantes prometem continuar as manifestações semanalmente até a saída de Yeda do governo.

O cerco não pára de se fechar, até quando a governadora continuará resistindo e desrespeitando a opinião pública?

De volta para o Passado – em satolep

Retratos de uma cidade é uma verdadeira viagem, em dois sentidos. O primeiro, de viagem no tempo. Pois o livro, apelidado por mim de De Volta Para o Passado - em satolep, (sempre esqueço o título original), reúne fotos Pelotas no período de 1913 a 1930.A outra viagem que falo é no sentido figurativo, pois folhar o livro me faz sentir uma sensação indescritível, (do tipo “bah, que viagem...") remete a uma época completamente diferente da que vivemos, mesmo sendo a poucos anos atrás, como uma nostalgia e saudade do que eu não vivi.


"Sinto hoje em satolep, o que há muito não sentia..."*

A idéia do projeto surgiu de duas professoras da UFPel que tiveram um longo período de estudos na Biblioteca Pública Pelotense, pesquisando e selecionando fotografias impressas no Álbum de Pelotas de 1922 , nos Relatórios das Intendências dos anos de 1914, 1925 e 1928 e nos Almanaques de Pelotas de 1913 a 1915 e de 1917 a 1930.


"Satolep revelada na radicalidade dos ângulos retos; infalível como o relógio alemão na torre sobre o mercado; espalhando-se ao redor como um argumento inexorável"*


No mesmo lugar agora estão os casarões da cidade, o comércio, as igrejas, os colégios, o calçadão da XV, o centro da cidade, hospitais, teatros, praças, e muitos lugares desconhecidos por nós mas que existiram um dia em Satolep, pois sabemos que infelizmente é de costume na cidade, as coisas abrirem e fecharem as portas.


"No fundo, isso tudo é apenas o que o meu olho inventa: satolep".

O resultado da proposta não poderia ser outro, uma verdadeira viagem no tempo imperdível para todos os pelotenses, como um almanaque, para ser muito bem guardado e observado . E além disso, também o livro serve como um objeto de reflexão. Afinal, estamos no presente construindo uma história. E o que vamos deixar para ser publicado nos livros de amanhã sobre nossa cidade?

Ficou curioso?
Enquanto os livros ainda não foram disponibilizados para venda...Existem edições na Biblioteca Pública Pelotense, e nas Bibliotecas da UFPel e UCPel.


* Escolhi frases sobre a cidade para ilustrar a matéria.Todas estas em vermelho são palavras escritas nos livros e nas músicas do nosso ilústre pelotense Vitor Ramil.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Filme quente, para o frio: O Complexo Baader Meinhof

Cinema

Na foto: Gudrun Ensslin (Johanna Wokalek) and Andreas Baader (Moritz Bleibtreu) retirada http://blog.cinemaautopsy.com

Cultura

Indicado ao Oscar em 2008,o filme “O Complexo Baader Meinhof”, de produção Alemã, dirigido pelo cineasta Uli Edel,retrata a trajetória do grupo armado Der Baader Meinhof. A obra sofreu muitas criticas,como o excesso de romantismo e alguns críticos falaram em adoração ao grupo. A película tem duas horas e meia e é sempre fácil cometer erros. Por outro lado, e o que chama a atenção, são interpretações de Martina Gedeck (Meinhof), Moritz Bleibtreu (Baader) e Johanna Wokalek (Ensslin) que são bem realistas.

Contexto

Nos anos 60 o mundo estava em ebulição. Enquanto os americanos protestavam contra a Guerra do Vietnã e os franceses no monumental Maio de 68, os alemães ainda sem causas próprias, protestavam por problemas internacionais. Eram contra as guerras em Israel e no Vietnã e contra a pobreza no mundo.

Eram também contra o governo da Alemanha Federal onde reviam o nazismo. Esse medo do passado deu um enorme impulso ao movimento socialista e Ulrike Meinhof era a voz do povo. Jornalista de profissão passou das palavras aos atos quando libertou Andreas Baader da prisão. Juntos criaram a Baader-Meinhof, facção que durou quase trinta anos e mudou não apenas a Alemanha, mas o mundo.

É nesse clima que o longa-metragem se desenrola. Se vai chegar em Pelotas? Resta ao público pelotense torcer e cruzar os dedos. Outra opção para ver o filme é a internet, existem muitos sitios que disponibilizam bons filmes.

Ficha Técnica:

Título Original: "Der Baader Meinhof Komplex" (Alemanha, França, República Checa, 2008)

Realização: Uli Edel

Argumento: Bernd Eichinger, Uli Edel (baseado no livro de Stefan Aust)

Intérpretes: Martina Gedeck, Moritz Bleibtreu, Johanna Wokalek, Nadja Uhl, Bruno Ganz

Fotografia: Rainer Klausmann

Música: Peter Hinderthür, Florian Tessloff

Genero: Ação, Biografia, Crime, Drama

Duração: 150 min.

Sítio Oficial: http://www.thebaadermeinhofcomplex.com/


segunda-feira, 8 de junho de 2009

O Senador saiu pelos fundos

Ficção

Estava de férias em Brasília, quando observei ao longe no Congresso Nacional, uma pequena multidão,e comecei a correr,para ver o que acontecia no local. Fiz a volta pelos fundos do senado logo notei um vulto saindo,tinha um senhor discutindo com alguns pessoas, e para minha surpresa era o Senador Eduardo Azeredo,aquele do mensalão mineiro e do projeto para “fiscalizar”a internet.

Quando ele notou minha presença dirigiu-se a mim e falou:

- Você é repórter ou um desses nerds chatos que vivem me achacando? Eu respondi: - Sou um quase repórter e um pouco nerd, mas bem pouco. O pessoal está bem furioso com senhor, é sobre o projeto da internet,né ?
Ele logo me disse: - Eles não entendem, pois eu quero combater os crimes na internet.

Eu respondi: - Mas o senhor não é a favor da liberdade de expressão? Pois,
sendo aprovado esse seu projeto, vai haver um vigilantismo absurdo na rede que acaba com direitos que temos hoje. Acho que temos que ter regras para a rede,mas o seu projeto é a volta aos tempos do "AI-5".

Ele respondeu :- Bem vou indo, ( com a cara não muito boa para mim )eu sou Senador e defendo interesses,alias todos nós defendemos,eu fui eleito pelo povo, mais devo explicações também para quem financia minhas campanhas!

Naquele momento estava começando a manifestação, o Senador Azeredo pegou uma carona e se mandou pela porta dos fundos do Congresso Nacional,enquanto o número de ativistas aumentava consideravelmente. Hoje no Brasil,vão ocorrer atos (Mega Não!), praticamente em todo o país, para tentar conter a fúria das grandes corporações que querem cercear o direito à informação no ciberespaço.

*Em tese o substitutivo pretender combater crimes cibernéticos.Mas,na prática,parece servir a vários lobbies. Veja o vídeo abaixo

video

Cinema ainda mais interessante

Cultura

Pense no cinema não apenas como arte, - o que já é muito importante e enriquecedor - mas pense nele também como forma de discussão. Como início de partida para um debate. Pense nele como objeto que renda inúmeras reflexões sociais. Com essa iniciativa de ver o cinema de forma bem mais abrangente, estudantes do Centro Acadêmico Ferreira Vianna (CAFV) da UFPel deram início ao projeto Dialogando com a 7ª Arte no ano passado.

Já dizia Fellini que "o cinema é um modo divino de contar a vida". Vejo que ele estava com razão. O cinema é o retrato de uma sociedade, por mais "fantasiado" que muitas vezes pareça ser. Afinal, a vida é em alguns casos, uma tremenda fantasia. Mas eu agora quero falar de realidade. E a continuidade do debate depois da telinha acrescenta e muito culturalmente em qualquer ser humano. O que seria da vida sem as dúvidas, os questionamentos, a incerteza? O que seria da opinião sem os dois lados? O que seria da resposta se não houvessem as perguntas? Ela simplesmente não existiria e viveriamos um sistema tão unilateral. Tão previsto e vazio. O que em muitos momentos é o que se vê, o que se sente. E o que não aceitamos com razão.

Mas por existir tanto caminho, tanta volta, tanta opinião e repito: "questionamentos", o Projeto de cinema que valoriza o debate para aumento de conhecimento e reflexão, tem tido uma interação bacana entre os participantes. A primeira sessão desse ano foi no dia 29 de abril no auditório da faculdade de Direito. Cerca de 30 pessoas estiveram presentes para assistir o filme Pra frente Brasil. O filme retrata os últimos anos da ditadura militar no Brasil . Em especial, na década de 70, época em que o Brasil ganhou a Copa do Mundo disputada no México; o Brasil vivia o futebol e a "felicidade disfarçada", enquanto milícias civis, sem provas, prendiam, torturavam e matavam "suspeitos". O que nossos antepassados viveram? Onde estavam seus corações? De um lado tínhamos a vitória exposta exploradamente pela mídia; do outro, o sangue inocente derramado silenciosamente num país em guerra. Imagine as tantas questões que podem ser debatidas a partir de um tema como esse. E na sessão não foi diferente. As voltas foram tantas e dentre elas, destaco alguns tópicos:

- a importância que a resistência do Movimento Estudantil já teve: seu enfraquecimento com o passar do tempo, sua descaracterização atual, mas sua eterna importância destacando que ainda é possível manter o movimento estudantil desde que se tenha coerência e mesmo que as causas atuais sejam bem menores que as catástrofes dos tempos de ditadura;

- a abordagem da mídia em tempos "de guerra" e as variadas formas de ditaduras que vivemos até hoje como a da beleza e cultural e também a falta de liberdade de expressão da mídia aberta. Os "ensinamentos" invertidos e a desvalorização da cidadania e da responsabilidade social dos grandes meios;

- a despolitização atual e a falta de senso crítico. O debate se estendeu até mesmo para as cotas para negros nas universidades atuais. A dívida racial que o país tem e o preconceito ainda muito forte com o negro aumentando ainda mais a desigualdade social.

O Dialogando com a 7ª Arte tem dado certo. Tão certo que alunos de diversos cursos se fazem presentes no projeto e a intenção é ter sessões mensais.

Em maio, foi a vez do tema: ABORTO. O dia escolhido foi o sábado, dia 30 e quase 40 pessoas estiveram presentes mais uma vez no Auditório da Faculdade de Direito da UFPel naquela tarde chuvosa.
Assistiram o documentário Aborto dos Outros, produzido pela diretora Carla Gallo que trata sobre maternindade, afetividade, intolerância, solidão, leis do país e criminalização para as mulheres. Assunto polêmico que rendeu mais de uma hora e meia de debate pautando assuntos como a legalização do aborto e todas as suas implicações na sociedade como a postura da religião, entre outros. A roda feita depois do filme assim como na primeira exibição do projeto, teve diálogo, contestação, afirmações e novas ideias.

Tá a fim de dialogar com a 7ª arte? Fale sobre a vida. Sobre a sociedade, sobre o tudo ou sobre o pouco. Sobre o nada que se faz muito. Sobre o muito que muitas vezes é como o nada. Não fique de fora do próximo. Afinal, filmes sempre são bem vindos e quando eles vêm acompanhados de rodas de discussão, ainda fica mais interessante.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Abusado, o dono do Morro Dona Marta

Leia

A obra Abusado, o dono do Morro Dona Marta da Editora Record foi escrito em 2005 por Caco Barcellos, renomado jornalista que iniciou sua carreira na Folha da Manhã, trabalhou em veículos de imprensa alternativo, passou pelas revistas Repórter, Isto É e Veja, cobriu guerras mas se dedicou a reportagens investigativas, trabalha na Rede Globo desde 1985 onde já foi repórter do Jornal Nacional, do Fantástico do Globo Repórter e em 2002 virou correspondente da emissora em Londres. Atualmente esta de volta ao Fantástico como repórter do quadro Profissão Repórter.

O fato principal deste livro é a historia de vida de um poderoso traficante do Morro Dona Marta, apresentado pelo autor como Juliano VP, codinome utilizado para preservar a verdadeira identidade do criminoso. O livro também relata as dificuldades dos moradores da Favela em viver dignamente e o esforço de Juliano em se tornar um homem de bem, mas ao mesmo tempo caindo na tentação de ganhar dinheiro fácil e tentar dar uma vida menos sofrida a sua família, descreve como um garoto pobre cheio de sonhos cai nas armadilhas da vida e em pouco tempo torna-se um bandido cruel, passando por cima de algu
ns valores que possuía transformando se no homem mais procurado pela policia do Rio de Janeiro.

As aventuras vividas pelo traficante também são contadas pelo autor no livro, as fugas, o longo período em que Juliano morou fora do Brasil escondido da policia, os romances, as traições, a compaixão, a solidariedade, as festas, os assassinatos, a crueldade, a gravação do clip de Michael Jackson que tornou a Favela conhecida mundialmente. É difícil analisar a personalidade do protagonista dessa historia.

Após ler esse livro podemos ter certeza de que o ser humano não nasce bom ou mau, na maioria das vezes as condições de vida e a tentação nos levam para caminhos que nunca imaginávamos seguir. Foi o que aconteceu com VP que no inicio do livro não passa de uma criança normal como tantas da favela que estuda e sonha em trabalhar para não sofrer tanto com as condições precárias de vida do Morro. Mais a diante essa história muda de forma inesperada o seu percurso.

Alguns garotos sonham desde pequenos com o poder e com a aventura de ser um criminoso respeitado, Juliano só queria uma oportunidade de emprego com um salário digno para ajudar sua mãe com as despesas de casa.


É fácil falar aqui de livre arbítrio, a vida é feita de escolhas e o poder atrai muito esses meninos que muitas vezes estão cansados de serem humilhados pelo resto da sociedade que os julgam pelo lugar onde nasceram sem refletir e perceber que isso não é uma questão de escolha e sim de destino.


Mas afinal o que faz uma pessoa se arriscar tanto? O poder ou o medo de ser apenas mais um nas estatísticas? A busca por dignidade ou a falta dela? O fascínio ou a necessidade?
Ler este livro não responde a essas questões, mas nos leva a uma reflexão profunda sobre o que é viver em sociedade. Existe saída para um menino que só quer ser igual aos outros de sua escola? Porque algumas pessoas têm tanto e outras tão pouco? O que é certo e o que é errado quando se vive na miséria? Se a desigualdade não existisse haveria tanta violência? Dificilmente um dia teremos essas respostas, pois parece que estamos predestinados a viver nessa sociedade tirana em que as pessoas só se preocupam consigo mesmas.

Recomendo o livro a todas as pessoas que se preocupam com os problemas de desigualdade social e com o preconceito da nossa sociedade, pois o momento explicito de violência em que vivemos na sua maioria é culpa do descaso de nossos governantes perante esse povo tão sofrido e discriminado.